Diretor do concurso virtual analisa modernização da administração pública
Professor Marcelo Marques, de Administração Pública, traça histórico da administração pública brasileira e elogia atual cenário
Ao comparar a tendência do ser humano de querer eliminar a gordura corporal com o desejo de acabar com a burocracia da máquina pública, o professor de Administração Pública Marcelo Marques, diretor de marketing do Concurso Virtual, traçou o tom da descontração em sua palestra na 2ª edição da Feira da Carreira Pública no Rio de Janeiro. O encontro, que teve como temática “a modernização da administração pública e o impacto nos concursos públicos”, aconteceu no auditório 3 do evento, das 15h30 às 16h30 deste sábado, dia 29.
Segundo o especialista, o aprimoramento do Estado passa pela desburocratização, mas não pela eliminação por completo da burocracia. “A burocracia é importante para a vida organizacional, assim como a gordura é para o homem. Assim como o excesso é maléfico, a ausência de ambas também é prejudicial. A burocracia nada mais é do que hierarquia e divisão de trabalho. Modernizar a administração pública é ir de encontro com a desburocratização, ou seja, redução da burocracia”, discursou.
Na visão do palestrante, o paradigma da administração pública burocrática começou a ser mudado na década de 1990, com o advento da administração pública gerencial. “Enquanto a ênfase da administração pública burocrática é nos meios, a da gerencial é nos fins e resultados para a sociedade. A sociedade passa a ser vista como cliente e, tal qual na iniciativa privada, precisa ser agradada”, teorizou.
“Na transição da década de 1970 para a de 1980, houve o fim da ditadura e a redemocratização do regime. Os novos gestores, financiados por algumas classes, começaram a agradá-las com o loteamento de cargos através de critérios políticos, e não meritocráticos. Isso gerou uma crise fiscal e esgotamento da estratégia estatizante, já que o Estado não podia estatizar mais quase nada. Daí, viu-se a necessidade da modernização da administração pública. O Estado não assume mais o papel de prestador de serviço. Ele quer que a iniciativa privada o exerça, e, em tese, o exerça bem. Por isso, existem as agências reguladoras”, complementou.
O professor Marcelo Marques ainda explicou a maneira pela qual a administração pública foi remodelada. ”As dimensões para tirar o Estado da crise foram mudanças na legislação e culturais e a utilização, por parte do Estado, de ferramentas privadas. A Emenda Constitucional 19, que versa, entre outros pontos, sobre a eficiência, e o Plano Diretor de Reforma do Aparelho do Estado, idealizado no governo FHC, foram fundamentais. Várias medidas foram tomadas para promover uma administração pública de excelência, e hoje temos o projeto da Gespública, que privilegia a competência dos servidores. Os novos concursos exigem cada vez mais conhecimento, habilidade e atitude”, encerrou.

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