Melhorias no Acordo Ortográfico em pauta na Feira
Professor Ernani Pimentel faz críticas à Reforma e propõe alternativas
Ernani Pimentel pertence ao grupo dos professores mais conhecidos por quem faz concurso público. Além de professor de Língua Portuguesa, Teoria Literária e Análise de Texto, o especialista é presidente da Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos e tem um vasto currículo no magistério.
Essas são algumas das razões que fizeram com que a palestra "Acordo Ortográfico: como é e como pode melhorar", ministrada por ele nesta sexta-feira, dia 28, lotasse o auditório. Na plateia, pessoas ávidas por esclarecimentos sobre a polêmica reforma, que ainda gera muita insegurança entre os que estudam para concurso.
O docente percorreu por hífen, prefixos, acentuação, trema, entre outros pontos da Língua Portuguesa alterados pelo Acordo. A cada exemplo apresentado, Ernani Pimentel demonstrava a inconsistência de certas regras, que, na opinião dele, apenas irão gerar mais dúvidas quanto à escrita das palavras.
"Não sou contrário a uma reforma, mas ela tem que ser pensada pelos que estudam Língua, os filólogos. Da maneira como foi feita, não apresenta nenhuma vantagem a quem estuda nem a quem leciona", analisa, exemplificando: "Nós temos a palavra 'estender', com 's', e 'extensão, com 'x'. Em algum momento alguém escreveu errado e as duas formas ficaram valendo, então hoje temos uma série de expressões derivadas com ambos os prefixos. Mas esse problema o Acordo não soluciona."
As principais críticas que o pesquisador teceu à nova lei são anacronismo, contradição entre os princípios, imprecisão do conceito e, sobretudo, a inconstitucionalidade. "No texto do acordo, consta que ele deveria entrar em vigor sem qualquer alteração e que, antes disso acontecer, teria de ser criado o Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa, o Volp, no qual constariam as expressões de todos os países lusófonos. O Volp não foi criado, e nós fomos o único país a colocar a Reforma em prática, ainda por cima com diferenças em relação ao texto original", explicou.
No fim do discurso, ele divulgou um e-mail para que os presentes possam ter acesso gratuito a um dos seus cursos online, e ainda passou um abaixo-assinado pedindo a revisão do Acordo, que será encaminhado ao Congresso. A estudante Marluce Gonzaga da Silva, 33 anos, aprovou tudo o que ouviu. "Gostei muito do enfoque que ele deu à palestra. Realmente, a nova regra é inconstitucional", concordou.

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