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Palestra sobre carência de pessoal e concursos periódicos fecha com sucesso o 2º dia de feira

O presidente do Sindicato dos Policiais Civis, Fernando Bandeira, foi o palestrante da vez

O 2º dia da Feira da Carreira Pública fechou com chave de ouro, visto que a palestra ministrada pelo presidente do Sindicato dos Policiais Civis, Fernando Bandeira, foi um sucesso. O principal tema abordado foi a carência de pessoal e a necessidade de concursos públicos periódicos, dois fatores que apresentam uma carência evidente no país. O público presente demonstrou interesse e curiosidade sobre o assunto, interagindo e questionando o palestrante, que respondeu a todas as perguntas de maneira atenciosa.

Ao iniciar a apresentação, Fernando fez questão de parabenizar a Folha Dirigida pela organização da feira. "As palestras estão abordando temas incríveis e extremamente interessantes para quem quer participar de concursos públicos", disse o palestrante, dando segmento ao assunto principal de seu discurso. "A Polícia Civil tem um histórico de falta de concursos desde sempre, já que isso acontece desde a época do Estado da Guanabara, quando a carência já era evidente".

Bandeira afirmou que o efetivo da Polícia Civil atual não chega nem a 40% do que é considerado necessário, que seria cerca de 15 mil servidores. "Nós, do Sindicato, estamos sempre cobrando do Estado não somente a realização dos concursos para todos os cargos, mas também por uma remuneração melhor para esses profissionais, a fim de que haja gente interessada em permanecer na corporação", declarou, ressaltando que se ocorressem concursos periódicos, os candidatos poderiam, inclusive, se preparar melhor. "Se a pessoa já sabe que vai ter o concurso todos os anos ou a cada dois anos, ela iniciará o preparatório desde cedo, fazendo com que esteja melhor preparada no momento da prova".

O presidente do Sindicato divulgou, ainda, alguns dados relacionados à quantidade de efetivo necessária no quadro da Polícia Civil e quantos existem atuando, na realidade. "Para o cargo de perito, temos a carência de 100 vagas. Perito criminal, por exemplo, existe uma necessidade de 535 profissionais e, no entanto, temos apenas 285, sendo que a perícia é algo fundamental para as investigações, pois se não for feita de maneira correta e eficiente, fica difícil haver uma condenação de qualquer suspeito que possa ter praticado um crime", explicou, acrescentando mais informações específicas. "Para técnico de necrópsia, precisamos de 260 profissionais e temos somente 143. Para auxiliar de necrópsia, o efetivo certo é de 230, mas trabalhamos com 152. A função de inspetor de polícia exige 12.014 servidores, de acordo com a lei. Nós temos apenas 6.147. O cargo de oficial de cartório é uma categoria que pede 4.500 profissionais e possuímos 1.302. Finalmente, para investigador, o correto são 3.500 vagas. Temos 789 investigadores atuando. Ou seja, a carência na Polícia Civil é absurda e evidente", declara Fernando.

Continuando sua crítica ao descaso das autoridades com a falta de efetivo da Polícia Civil, o palestrante chamou a atenção, também, para a falta de condição de trabalho. "Além da enorme carência de pessoal, não temos os equipamentos necessários, que são tão importantes quanto os servidores. Sem esses dois fatores, fica complicado para a polícia realizar um bom trabalho, e essa falta de condição acaba prejudicando toda a sociedade", diz, deixando claro que não vai desistir de lutar pelos direitos trabalhistas dos policiais civis. "Lamentavelmente, os governantes não dão a devida atenção para a polícia, mas o que eu percebo é que, quanto mais nós pressionamos, mais coisas conseguimos. Com esses eventos esportivos que vêm por aí, é essencial que a polícia do Rio de Janeiro esteja bem equipada e treinada, funcionando com o número correto de profissionais. Isso implica em concursos imediatos, para que dê tempo de os servidores já estarem bem treinados quando chegar a hora dos eventos, sem mencionar que o estágio probatório é de três anos". Fernando encerrou a palestra fazendo um apelo contra a terceirização do serviço público. "Isso tem que ser cortado, precisa acabar. Concurso é algo muito importante, pois gera a possibilidade da pessoa conseguir construir uma carreira".

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